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QoS no CCNA: classificação, marcação DSCP e filas explicados

por Luiz Silvério

QoS existe porque nem todo tráfego tem a mesma urgência.

Uma chamada VoIP que sofre atraso de 200ms fica incompreensível. Um backup que demora 30 minutos a mais não faz diferença para ninguém. Sem QoS, o roteador trata os dois igual. Com QoS, a voz passa na frente.

O CCNA cobra QoS no nível de conceito. Você precisa saber o que cada mecanismo faz, não decorar toda a configuração.


Os quatro problemas que o QoS resolve

Bandwidth: largura de banda disponível para cada classe de tráfego.

Delay (latência): quanto tempo um pacote leva do origem ao destino.

Jitter: variação no delay. Voz e vídeo são sensíveis ao jitter. Um pacote chegando 10ms depois do esperado atrapalha mais do que chegar sempre 50ms mais tarde.

Loss (perda): pacotes descartados. Voz tolera até 1% de perda. TCP retransmite perdas, mas isso aumenta a latência.


Classificação: identificar o tráfego

Classificação é identificar que tipo de tráfego é cada pacote. Voz, vídeo, dados, backup.

Critérios de classificação:

  • Endereço IP de origem e destino
  • Protocolo e porta (TCP 443 = HTTPS, UDP 5060 = SIP)
  • DSCP ou CoS já marcado no pacote
  • NBAR (Network-Based Application Recognition): inspeção profunda de pacotes para identificar aplicações mesmo que usem portas não padrão

Marcação: etiquetar o tráfego

Depois de classificar, o roteador marca o pacote para que todos os dispositivos do caminho saibam como tratá-lo sem precisar re-inspecionar.

DSCP (Differentiated Services Code Point)

6 bits no cabeçalho IP. Sobrevive roteadores. É a marcação principal em redes modernas.

Valores importantes:

DSCP Nome Uso típico
0 Best Effort (BE) Tráfego padrão
46 Expedited Forwarding (EF) Voz VoIP
34 AF41 Vídeo interativo
26 AF31 Dados críticos
8 CS1 Tráfego de baixa prioridade

CoS (Class of Service)

3 bits na tag 802.1Q. Existe apenas em links trunk entre switches. Morre quando o frame sai do trunk ou passa por um roteador. Por isso o DSCP é preferido em redes com múltiplos saltos.


Trust boundary: onde confiar na marcação

Dispositivos finais podem marcar seus próprios pacotes. Um computador pode marcar VoIP com DSCP 46. Mas também pode marcar um download de filme com DSCP 46 para burlar a prioridade.

Daí existe o trust boundary: o ponto da rede onde o dispositivo confia na marcação recebida sem remarcar.

O trust boundary ideal é o primeiro switch gerenciável conectado ao endpoint. Dispositivos de voz IP certificados Cisco podem ter sua marcação confiada. PCs normais geralmente não.

Switch(config)# interface GigabitEthernet0/1
Switch(config-if)# mls qos trust dscp

Filas: como o roteador decide o que sai primeiro

Quando há congestionamento, o roteador enfileira os pacotes. Sem QoS, a fila é FIFO: primeiro a entrar, primeiro a sair. Tráfego de voz fica atrás de um backup de 1GB.

Com QoS, existem filas separadas por classe:

Priority Queuing (PQ): a fila de alta prioridade é sempre servida primeiro. A de baixa prioridade só recebe atenção quando a de alta está vazia. Risco de starvation para tráfego de baixa prioridade.

Weighted Fair Queuing (WFQ): distribui bandwidth entre as filas com base em pesos. Garante que nenhuma fila morre de fome.

Low Latency Queuing (LLQ): combina PQ com WFQ. Uma fila estrita para voz com bandwidth garantido. O resto usa WFQ. É o modelo recomendado para VoIP.


Policing vs Shaping

Policing: descarta ou remarca pacotes que excedem o rate configurado. Imediato e sem buffer. Causa perda de pacotes mas não adiciona delay.

Shaping: enfileira pacotes que excedem o rate e os envia quando houver capacidade. Não descarta, mas adiciona delay e usa buffer.

Quando usar cada um:

Policing na entrada para limitar tráfego recebido de clientes. Shaping na saída para se adaptar à velocidade do link do provedor.


O que a prova CCNA cobra

QoS está no domínio IP Services com peso de 10%. A prova cobra descrição, não configuração completa. Os pontos mais frequentes:

Os quatro problemas que o QoS resolve: bandwidth, delay, jitter, loss. A diferença entre classificação e marcação. DSCP vs CoS: onde cada um fica e qual sobrevive ao roteamento. O valor DSCP para voz (EF = 46). O conceito de trust boundary. A diferença entre policing (descarta) e shaping (enfileira).


FAQ

O CCNA exige configuração de QoS? Na prova atual (200-301 v1.1), QoS é domínio de descrição. Você precisa entender o que cada mecanismo faz, não saber a sintaxe completa do MQC (Modular QoS CLI). Na prática, QoS é configurado no dia a dia de redes corporativas.

Por que voz usa DSCP 46 (EF)? EF significa Expedited Forwarding. A ideia é que esses pacotes devem ser encaminhados com o mínimo de delay e jitter possível, como se estivessem "na fila expressa". O valor 46 foi escolhido pelo IETF para identificar tráfego que precisa de tratamento prioritário estrito.

CoS 0 é o mesmo que DSCP 0? Ambos representam best effort, o nível mais baixo de prioridade. Mas não são tecnicamente o mesmo campo. CoS fica na camada 2 (tag 802.1Q) e DSCP na camada 3 (cabeçalho IP). Podem ser mapeados um para o outro nos dispositivos de rede.


▌ QoS é tema de IP Services do CCNA. O diagnóstico gratuito do PacketPass mostra onde estão suas lacunas por domínio. Resultado na hora, sem cadastro.


Informações baseadas no blueprint CCNA 200-301 v1.1 atual, ComputingForGeeks (junho 2026) e documentação oficial da Cisco sobre QoS.