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FortiGate VPN SSL: como funciona, web mode vs tunnel mode e o que o NSE4 cobra

por Luiz Silvério

A VPN SSL no FortiGate permite que usuários remotos acessem a rede corporativa com segurança.

Diferente da VPN IPsec site-to-site (que conecta duas redes), a VPN SSL é voltada para acesso de usuários individuais a partir de qualquer lugar.


Os dois modos de VPN SSL

Web mode

O usuário acessa via browser. Sem instalação de software adicional.

O FortiGate apresenta um portal web onde o usuário pode acessar aplicações internas específicas: sistemas web internos, RDP via browser, SSH via browser, compartilhamentos de arquivo.

Limitações: só funciona com aplicações web. Não dá acesso completo à rede como se o usuário estivesse fisicamente no escritório.

Quando usar: acesso ocasional a aplicações específicas, usuários em dispositivos que não podem instalar software, situações onde o controle granular do que o usuário acessa é importante.

Tunnel mode

O usuário instala o FortiClient e estabelece um túnel VPN.

Quando o túnel está ativo, o dispositivo do usuário recebe um endereço IP da rede interna (de um pool configurado no FortiGate) e tem acesso completo aos recursos internos, como se estivesse conectado fisicamente na rede.

Quando usar: usuários que precisam de acesso completo à rede, aplicações que não funcionam via browser, trabalho remoto contínuo.


Como o tunnel mode funciona

O FortiClient estabelece uma conexão SSL com o FortiGate. O FortiGate autentica o usuário (usuário local, LDAP, RADIUS ou certificado). Após autenticação, o FortiGate aloca um IP do pool configurado para o dispositivo do cliente.

O tráfego do usuário vai para o FortiGate através do túnel e o FortiGate o encaminha para a rede interna. O FortiGate aplica políticas de firewall no tráfego da VPN SSL, igual a qualquer outro tráfego.


Configuração básica no FortiGate

Passo 1: criar o portal VPN SSL

VPN → SSL-VPN Portals → Create New

Define modo (web, tunnel ou ambos), pool de IPs para tunnel mode, split tunneling, bookmarks para web mode.

Passo 2: criar as configurações de SSL-VPN

VPN → SSL-VPN Settings

Define interface de escuta, porta (padrão 443 ou 10443), certificado, políticas de autenticação e quais portais cada grupo de usuários acessa.

Passo 3: criar a firewall policy A política de firewall da VPN SSL tem:

  • Source interface: ssl.root (interface virtual da VPN SSL)
  • Source: usuários ou grupos autorizados
  • Destination: recursos internos permitidos
  • Action: ACCEPT com security profiles conforme necessário

Sem essa política, o usuário autentica mas não consegue acessar nada.


Split tunneling

Por padrão, quando o tunnel mode está ativo, todo o tráfego do usuário passa pelo FortiGate (full tunnel).

Com split tunneling ativado, só o tráfego destinado à rede interna vai pelo túnel. O resto (YouTube, redes sociais, email pessoal) vai direto para a internet pelo link do usuário.

Vantagens do split tunneling: menos carga no FortiGate, menos latência para o usuário. Desvantagem: o tráfego externo do usuário não passa pelos security profiles do FortiGate.


Autenticação na VPN SSL

O FortiGate suporta múltiplos métodos de autenticação para VPN SSL:

Usuário local: conta criada diretamente no FortiGate.

LDAP/Active Directory: autentica com as credenciais corporativas do Windows.

RADIUS: integra com servidores de autenticação centralizados.

Certificado de cliente: autenticação baseada em certificado digital, mais segura que usuário e senha.

Two-factor authentication: combinação de usuário/senha com token (FortiToken, email, SMS). Altamente recomendado para VPN SSL em produção.


Troubleshooting de VPN SSL

Os problemas mais comuns e como diagnosticar:

Usuário não consegue conectar:

diagnose debug application sslvpn -1
diagnose debug enable

Os logs mostram onde a autenticação está falhando.

Usuário conecta mas não acessa recursos internos: Verifique se existe firewall policy com source interface ssl.root cobrindo o tráfego necessário. Sem a policy, o implicit deny bloqueia.

Certificado inválido no browser: O certificado do FortiGate não é trusted pelo browser. Instale o certificado da CA no dispositivo do usuário ou use um certificado de uma CA pública.


VPN SSL vs IPsec: quando usar cada uma

Critério VPN SSL VPN IPsec
Caso de uso Acesso de usuários remotos Conexão entre sites
Software FortiClient (tunnel mode) Sem cliente (site-to-site)
Configuração Mais simples Mais complexa
Compatibilidade Qualquer rede com 443 aberto Requer portas UDP específicas
Performance Ligeiramente menor Melhor para alto volume

O que o NSE4 cobra sobre VPN SSL

A diferença entre web mode e tunnel mode. Como o split tunneling funciona e suas implicações. Os métodos de autenticação suportados. A firewall policy necessária para o tráfego da VPN SSL funcionar. Troubleshooting básico: diagnose debug sslvpn.


FAQ

Qual porta a VPN SSL usa por padrão? A Fortinet recomenda a porta 443 (HTTPS) ou 10443. Usar 443 garante que a VPN funciona em redes que bloqueiam outras portas, já que 443 raramente é bloqueado.

FortiClient é obrigatório para tunnel mode? Sim. O tunnel mode requer o FortiClient instalado no dispositivo do usuário. Para web mode, qualquer browser funciona.

A VPN SSL é segura sem certificado válido? Tecnicamente funciona, mas com risco. Sem certificado válido, o usuário recebe aviso de segurança no browser e pode estar sujeito a ataques man-in-the-middle. Em produção, use sempre certificado de CA pública ou distribua o certificado da CA interna.


▌ VPN SSL é um dos temas de maior peso no NSE4. O simulado do PacketPass tem questões calibradas para o exame FCP_FGT_AD-7.6 atual, organizadas por domínio.


Informações baseadas no blueprint NSE4 FortiOS 7.6 atual e documentação oficial da Fortinet, verificadas em agosto de 2026.